sábado, 29 de janeiro de 2011

ATÉ ONDE VAI A ONDA DAS FESTAS POP?

SEM IDENTIDADE: pistas dedicadas apenas a “hits” geram discussão entre DJs e produtores

Os timelines do Twitter e do Facebook e as caixas de entrada dos e-mails estão cheios de chamadas para festas sem muita identidade. São grupos de amigos que se juntam para escutar o que gostam e os encontros remontam àquelas festas de adolescentes no salão do prédio. O resultado é uma segunda geração de festas pop, feitas por não DJs, que deixa a novidade em segundo plano e aposta em uma mistureba de estilos.

Assim, o que, a princípio, era um movimento de algumas grandes festas pop com identidade bem formada, que quebravam um certo gelo das pistas de eletrônica, parece ter se tornado maioria na noite do Rio. Criador da Oops!, uma festa que sempre teve uma assinatura musical, Maurício Lopes, um dos DJs com mais tempo de atividade na vida noturna carioca, não gosta de caça às bruxas, mas reage a essa invasão.
— Acho válido que amigos se juntem para tocar o som de que gostam e que não rola na noite, mas não gosto da invasão da música pop — diz ele, que estreia hoje nova residência no Fosfobox, a Fosfolopes. — Gosto de música eletrônica de verdade, sets bem construídos e line-ups bem montados. O que acontece é um rejuvenescimento do público, que está tendo pouco acesso à informação. Para gostar, é preciso conhecer. Mas acho bom a noite ficar aberta a todo mundo. Só não acredito nesse conceito de não DJ. Se está tocando para uma pista, é DJ.

Outra grife da noite, Gustavo Tatá, residente da Buati, encara o levante das festas pop numa boa, mas acredita que esse é apenas um momento passageiro na noite carioca.
— Já passei por tantos estilos musicais em 15 anos de carreira... Acho que existe espaço para todos. Vou a festa pop e me divirto. Cada um escuta o que quer. Mas é fato que, quando essa galera cansar, eu ainda estarei aqui. Vida de DJ não é fácil. Tem que ter muita dedicação, compromisso e pesquisa. Meu set muda toda semana.

Produtora da Electroshake e do coletivo Moo, Loulou Chavarry também é da opinião de que modinha passa rápido.
— Em breve, acontecerá uma seleção natural. Quem não souber se segurar vai cair com o tempo. O público não gosta de DJ que se repete e não sabe equalizar o som, não tem noção de volume, não pesquisa, não faz um curso para aprender a mixar. Na noite é assim: tudo muito rápido e efêmero. (Fabiano Moreira)

Depois do fim da Oops!, há mais de um ano, estreia a nova residência do mestre Maurício Lopes no Fosfobox. E agora ele não está sozinho, recebendo o paulista Renato Lopes e o coletivo Válvula. Os flyers são assinados pela galeria de arte Cosmocopa.


Fonte: O Globo

Nenhum comentário: